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quarta-feira, 10 de março de 2010

Chinês anônimo encarna o "homeless chic"

Esta eu tirei do site da Revista Criativa
Chinês anônimo encarna o "homeless chic"

09/03/2010 - 19:13
- Atualizado em 10/03/2010 - 16:15

Chinês anônimo encarna o "homeless chic"

A tendência de roupas detonadas e looks largados apareceu em 1980 e hoje ferve nas passarelas. Agora surge um personagem curioso e bem real para entrar no debate sócio-político financiado pelo mundinho fashion

Vinícius Cardoso
  Reprodução
Ele já foi flagrado nas ruas de Ningbo com roupas dignas das últimas fashion weeks

Os desfiles anunciam que o look mendigo está na moda. Produções puídas viraram inspiração para editoriais e campanhas badaladas. Virou tendência ser low (e high ao mesmo tempo, claro) e depois do neogrunge dos anos 2000 (re)nasceu o homeless chic, que desde a última temporada dá as caras entre as fashion weeks. É a moda com ar junkie de butique, com sobreposições de texturas e um quê vintage, que agora encontra um personagem bem real para encarnar o perfil desalinhado. Um morador de rua da China virou alvo da blogosfera e rendeu comentários do lado de cá do globo por suas curiosas combinações, que poderiam ter saído da última coleção masculina de Vivienne Westwood.

Ele mora na cidade de Ningbo, virou sensação entre os blogueiros chineses que o elegeram “ícone fashion” e saltou para o mundo estampando uma página do jornal britânico The Independent. Reafirmando seu curioso posto, o homem aparece registrado em looks femininos e já tem uma comunidade de fãs no Facebook.

  Reprodução
Ele é chamado de Brother Sharp, Beggar Prince e Handsome Vagabond por seu "bohemian dress sense"

No debate sobre política, economia e sociedade, essa história guarda a descrição do miserável na moda como um signo destes tempos, um tema recorrente interpretado em diferentes lugares do mundo. Do último desfile da Amapô, na SPFW, ao show masculino de Vivienne Westwood, na semana de moda de Milão, em janeiro, as roupas rasgadas e os looks cinzentos viraram um manifesto que teve sua gênese em 1985 e ressurgiu no ano passado.

A japonesa Rei Kawakubo, cabeça da Commes des Garçons, foi a primeira a apresentar uma coleção detonada e chocar Paris, fugindo da cartilha fashion 80´s. No ano 2000, John Galliano atraiu os olhos da capital francesa colocando as modelos da Dior com garrafas na mão e pedaços de jornal entre as roupas. Em 2007, foi a vez de Marc Jacobs mostrar peças desfiadas, cortadas, muito bege, preto e cinza, um largado sempre combinadinho batizado de neogrunge.

  Divulgação
A campanha sujinha da francesa Balmain e a camiseta (nada) básica da marca, que custa U$ 1624

O submundo chegou vitaminado a 2009 nas produções da francesa Balmain, marca que vende hoje uma camisetinha básica toda furada pela bagatela de U$ 1624. Vogue Itália e W dedicaram muitas páginas à inspiração que vem literalmente das ruas. A ideia foi parar no street style de Scott Schumann, no The Sartorialist, e encontrou até sua representante jetsetter brasileira Alice Dellal, que roda entre desfiles badalados em Nova York, Londres e Paris e baixa nas festinhas finas de Mônaco vestindo meias furadas e shorts idem.

  Divulgação
Em sua edição de setembro de 2009 a Vogue Itália estampou a capa com os maltrapilhos de grife
  Divulgação
Editorial da revista W de setembro de 2009. Glamour nos looks feitos com sacolas de luxo
"O homeless chic é só mais uma das perversões da moda. É um jogo de imagens, de atração e repulsão" - Vivian Whiteman

A onda nada nova aparece como uma das queridinhas para o próximo inverno. A antimoda está no mainstream, topetes e roupas engomadinhas agora são cafona, e a ideia de parecer pobre volta como a sacada da estação com mil sobreposições, jeans destroyed, blusas podrinhas e jaquetas detonadas. O guarda-roupas descontraído e confortável lotado de peças esfarrapadas virou must-have, e mostra que a homelessness pode ter várias caras, mas os cortes fashionistas não entram na discussão social impressa nas imagens. "O homeless chic é só mais uma das perversões da moda. É um jogo de imagens, de atração e repulsão. Não tem nada a ver com mudar a situação de alguém", diz a repórter de moda da Folha de São Paulo, Vivian Whiteman.


O mundo fashion representa, interpreta culturas e identidades, expressando tudo no vestir. As imagens da moda são absolutamente abertas a qualquer leitura, e essa tendência requentada levanta um controverso debate sócio-político-estético. Aqui a moda romantiza a realidade? É insensível reconhecendo beleza no sofrimento alheio? As pessoas são negligentes sobre a questão? Ou o luxo pobre não passa de cenas fetiche abertas a discursos furados?

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